abril 11, 2006

UM “REQUIEM” EUROPEU.

Europa.jpgQuer se goste ou não se goste, a verdade é que todos os indícios apontam para uma decadência fatal da Europa, tal qual a conhecemos.
Após duas guerras mundiais, das quais apenas resultaram a destruição, o empobrecimento e o atraso, a Europa lançou-se no pós-guerra eivada de optimismo e boas perspectivas: O “baby boom” garantia uma normal e equilibrada substituição geracional, o dinheiro do plano Marshall fornecia os meios necessários à reconstrução e a miséria fornecia uma mão-de-obra ávida de trabalho e altamente produtiva.
Infelizmente, os impulsos suicidários que levaram à eclosão das duas guerras, parecem não se ter desvanecido do ADN da Europa que rapidamente caminhou de novo a passos largos para o abismo.
A criação de Estados Providência, garantistas e desligados da produtividade, criaram uma massa imensa de benefícios e previlégios irreversíveis, que levando em conta o crescimento demográfico negativo verificado, se foram tornando cada vez mais insustentáveis.
A crise de valores morais, grande bandeira das reformas políticas Europeias ao longo dos séculos, foi criando um relativismo cada vez mais insuportável, que em nome da sacralização das liberdades individuais foi corroendo de forma insanável as células nucleares da sociedade Europeia, a começar pela família, criando toda a sorte de direitos e impondo os valores de várias minorias ao consenso geral das maiorias, através da instituição de uma verdadeira ditadura moral, que pomposamente se apelidou de “politicamente correcto”. O respeito, a educação e a disciplina foram vilipendiados como valores retrógrados e atentórios da liberdade individual. A Religião, em abstracto, como guardiã dos valores éticos e morais, foi abafada por um laicismo militante e fundamentalista, deixando a ambição desmedida, a luxúria e a inveja completamente à solta, sendo por vezes até aduladas como virtudes.
Agora, nos primórdios do Sec. XXI assistimos a uma Europa decrépita, decadente e egoísta, na qual a juventude nada respeita, pouco aprende e troça da disciplina, factor fundamental para a estruturação viável de qualquer Sociedade.
Em França, País que sempre se arrogou de ser o farol ético, político e social de todo o mundo, assistimos a uma população enraivecida, profundamente reaccionária, ganhar na rua aquilo que não consegue ganhar politicamente. Nestas últimas décadas, os Franceses têm praticado uma espécie de democracia directa perversa, em que as disposições governamentais dimanadas de Governos legitimamente eleitos são contestadas, não por referendos, mas na rua onde o acobardamento da classe política acaba por ceder.
O egoísmo de quem tem trabalho sobrepõe-se à necessidade, e putativa competência, de quem chega de novo ao mercado de trabalho. Contesta-se a emigração e no entanto não se invertem os mecanismos que têm levado ao dramático decréscimo da natalidade. Guincha-se contra os EUA pregando vigorosamente contra o neo-liberalismo e globalização, mas exige-se a protecção dos mercados contra as “invasões” asiáticas, em vez de procurar formas criativas de gerar mecanismos de competitividade e criação de emprego. Mantém-se um escandaloso programa de subsídios a uma inviável produção agrícola, lançando na miséria sem qualquer remorso vastas franjas da população mais pobre do terceiro mundo, em troca da manutenção de insustentáveis previlégios de agricultores já ricos.
A Europa tornou-se hedonista, intelectualmente obesa e profundamente ateia, não hesitando em comprometer, sem pestanejar, as gerações futuras em função da manutenção dos mais egoístas desejos materialistas. A Europa que prega aos quatro ventos a solidariedade, perverteu todos os seus princípios e a única solidariedade que conhece é a solidariedade entre os seus membros já instalados.
A quebra dos valores morais, eixo fundamental em volta do qual deveriam girar as evoluções sociais, alterou de forma indelével a geometria da Sociedade Europeia, condenando-a à fatalidade da decadência e presumível extinção.
Que Deus nos ajude e tenha piedade de nós!


Publicado por JM em abril 11, 2006 05:30 PM
Comentários
Caro Velho: A demora valeu a pena! A sintonia de pensamento é absoluta. Neste tempo em que não se usa Educar nem Formar, onde apenas o egoismo prevalece, será, porventura, que alguém está convicto que essa mesma mole societária estará disposta a inflectir a sua prática de vida, e abdicar de algo que seja para pagar as reformas de outros? Posted by: ADAMASTOR at abril 12, 2006 12:01 AM
... E a bem dizer tudo isto ainda só agora se começa a vislumbrar. Qualquer pico de 'stress' económico vai produzir pequenas mas explosivas reacções - que acabarão por formar a inevitável cadeia. Mais cedo ou mais tarde. Posted by: anjinho papudo at abril 12, 2006 12:16 AM
Caro Velho, Discordo totalmente da tua análise! Sorry! A Europa não está em decadência, a Europa nem sequer existe, existem é povos, países e nações europeias. Estes sim estão em decadência e estão em decadência por razões simples e objectivas. Algumas elites desligadas dos seus povos meteram-se num imenso processo de fusão pensando que "a união faz a força". Ora estes processos de fusão geram sinergias e têm custos. Quando as sinergias são superiores aos custos a união faz realmente a força mas quando os custos são superiores às sinergias a fusão torna-se destrutiva. No caso especial das nações europeias os custos da fusão são catastróficos e atingimos actualmente o ponto de não retorno, o ponto em que os custos da fusão impedem a implementação de políticas de incremento da natalidade. Assim a natalidade encontra-se em queda e sem natalidade assistiremos ao ocaso de todas as nações europeias. A Europa dos nossos netos e bisnetos (se os tivermos) será um continente despovoado que assistirá ao repovoamento feito pelos povos no Norte de África e do Médio Oriente, povos mais dinâmicos do que os actuais povos europeus. As "causas" que apontas para o declíneo da Europa são quanto muito consequências do processo em curso, mais nada. Um abraço Posted by: O Raio at abril 12, 2006 12:35 PM
A Europa está a desaparecer. Como diz o Raio, em breve o território que hoje ainda chamamos Europa será a "casa" de muitos povos de África e da Ásia que vêm até aqui à procura de uma vida melhor. Eles têm muitos filhos e, em breve, "possuirão a terra". Posted by: Luisa at abril 12, 2006 03:53 PM
"A crise de valores morais, grande bandeira das reformas políticas Europeias ao longo dos séculos, foi criando um relativismo cada vez mais insuportável, que em nome da sacralização das liberdades individuais foi corroendo de forma insanável as células nucleares da sociedade Europeia, a começar pela família, criando toda a sorte de direitos e impondo os valores de várias minorias ao consenso geral das maiorias, através da instituição de uma verdadeira ditadura moral, que pomposamente se apelidou de “politicamente correcto”. O respeito, a educação e a disciplina foram vilipendiados como valores retrógrados e atentórios da liberdade individual. A Religião, em abstracto, como guardiã dos valores éticos e morais, foi abafada por um laicismo militante e fundamentalista, deixando a ambição desmedida, a luxúria e a inveja completamente à solta, sendo por vezes até aduladas como virtudes." Desde sempre tenho falado da crise de valores que está na base dos males que nos assolam. Mas temos que continuar a falar, pode ser que nos venham a entender um dia. Isto nada tem a ver com as ideologias, porque mesmo um ateu pode e deve ter uma moral, quanto mais não seja para que não sucumba à ausência de moral dos outros para com ele. Senão poderá ter que se haver com, por exemplo, a eutanásia que outros entendam dever praticar com ele porque está velho, porque dá trabalho, porque é economicamente insustentável. Não nos admiremos que venham com o chavão da "insustentabilidade" para eliminar os que só estorvam. E enquanto for com os outros tudo bem, quando chegar a vez deles quero ver. Abraços Posted by: Henrique at abril 12, 2006 08:55 PM
Crise de valores morais, crise de idêntidade, falta tanto a esta Europa e falta tudo, não hà limites, vivemos numa sociedade que não mais se questiona, seguem-se as massas. Num qualquer ecossistema para se conseguir sobreviver hà que respeitar regras, na nossa actual sociedade Europeia vejo uma amálgama de culturas sem rumo e sem futuro. Que se seguirá? Posted by: isabel at abril 12, 2006 09:18 PM
A crise de valores será consequência da vitória dos secularistas evangélicos como alguém lhes chamou e como eu lhes chamo. A vitória do neoliberalismo tem como consequência o facto, que se observa todos os dias, na sociedade e em que cada humano é um rival na conquista do seu espaço, sem regras, ou em que tudo é lícito, apenas o fim conta, sem olhar por que meios. Veio no pós guerra e teve a sua expansão, ainda não tendo atingido o seu apogeu. O que me pergunto é o que vou ensinar aos meus filhos e netos ou então falhei em qualquer coisa, porque se os valores que lhe foram ensinados só servem para se tornarem escravos dos sem escrúpulos, que hoje são os vencedores da vida, os humanos de sucesso, que falta ainda lhes ensinar? Teremos tempo? Teremos espaço e força? A Europa dos valores existe de facto, está em cada um de nós que ainda acredita, mas as sociedades comandadas à distância como é o caso da Europeia pouco pode ou poderá, porque os dirigentes se venderam, mesmo os que falam na Europa das nações. A palavra chave está na Nação e nas Nações, destruídas pelos que disseram que as libertariam de todos os jugos, usando os mais variados termos em nome dos mais variados "ismos". É a normalização do que o não deve ser, como o caso de chamar casal a uma parelha, ter vergonha de ter Fé, por ser e estar fora de moda e por tudo o que nos entra pela casa dentro através dos media. Posted by: toupeira at abril 12, 2006 10:02 PM
A Europa está velha, balofa e decadente. Não mexe uma palha, refastelada que está. Continuo a não abdicar de certos valores imprescindíveis, e deles não me envergonho rigorosamente nada. Posted by: padeiradealjubarrota at abril 12, 2006 10:48 PM
Bom,já que a coisa está assim tão feia,que seja,que deus nos ajude,mas qual? Posted by: daniel tecelão at abril 12, 2006 11:50 PM
/// DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO: ----- A Europa está sob o domínio de um MONTE DE BANDALHOS ( vulgo Parasita Branco -> a Maioria do europeus ) que não estão preocupados com a SUSTENTABILIDADE DO SISTEMA... pois... pretendem andar no Planeta a CURTIR À CUSTA DOS OUTROS: --->> Exemplo 1: O Parasita Branco ( a Maioria dos europeus -> um MONTE DE BANDALHOS ) pretende andar no Planeta a Curtir a abundância de mão-de-obra Servil...... APESAR DE... o Parasita Branco nem sequer constituir uma Sociedade aonde se procede à Renovação Demográfica! --->> Exemplo 2: O Parasita Branco ( a Maioria dos europeus -> um MONTE DE BANDALHOS ) pretende andar no Planeta a Curtir a existência de alguém que pague as Pensões de Reforma...... APESAR DE... o Parasita Branco nem sequer constituir uma Sociedade aonde se procede à Renovação Demográfica! ----- NOTA: Como seria 'imoral' serem estrangeiros a pagar as pensões de reforma ao pessoal... o Parasita Branco adoptou um TRUQUE ENGENHOSO: ---> o Parasita Branco alterou a Lei da Nacionalidade... e vai gerindo a atribuição da Nacionalidade aos imigrantes ( e filhos de imigrantes )... ***[[[ nota: assim sendo, já ninguém pode andar por aí a acusar... que... as pensões de reforma do pessoal... estão a ser pagas por estrangeiros... ]]]*** ----- Já não há pachorra para aturar este MONTE DE BANDALHOS ( vulgo Parasita Branco -> a Maioria do europeus ) que pretende andar no Planeta a CURTIR À CUSTA DOS OUTROS...... ----- Reivindica o LEGÍTIMO Direito ao Separatismo!!! -----http://divisao--50--50.blogspot.com/ /// Posted by: PlanetaTerra at abril 14, 2006 09:43 AM
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