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o velho da montanha

o velho da montanha

A ANATOMIA DE UM CRIME

d carlos

 Estive para me recatar em relação ao centenário do Regicídio.
Achei o assunto suficientemente sério e triste, para que me parecesse serem o recato e a reflexão os bons conselheiros em tão desditosa data. No entanto, as diatribes, desrespeitos e desaforos que tenho observado à minha volta, seja nos media ou na blogosfera, praticamente me impeliram a sair do meu tropor e a tecer algumas considerações, não sobre Regicídio em si, mas da forma de como ele é comentado e apreciado passados 100 anos.
Lembro-me bem da forma como era apresentada a História dos últimos anos da Monarquia nos meus tempos de escola. Em pleno Estado Novo, sem a ferocidade que se regista hoje em dia, esses anos eram-nos apresentados como uma curiosidade histórica, sem grande detalhe e com a condescendência de um anacronismo. Só anos mais tarde tive acesso a informação fidedigna, e isto porque a procurei, pese embora o notável esforço de desinformação com que sempre me deparei.
O que acho curioso em toda a situação que precedeu a morte do Senhor Dom Carlos, foi o autentico pavor que a República demonstrou, e ainda demonstra, de um pensamento politicamente monárquico, estruturado e inteligente, demarcado do nefasto folclore cor-de-rosa que geralmente gira em torno dos meios monárquicos. Não me interessa aqui discutir méritos: A República tem-nos e a Monarquia também. O que me interessa sim, é análise do clima de intoxicação e propaganda negativa que ainda hoje grassa por parte de Republicanos mais radicais.
Talvez com a má consciência advinda do facto do regime ter nascido em berço de sangue e sob o signo do crime, os torne assim tão agressivos.
Há dias, no Blasfémias, CAA publicou um pequeno artigo em que decerto modo ridicularizava os Monárquicos em geral, respondi nos comentários, fui seguindo a evolução dos mesmos e fiquei abismado com o fel que ali foi destilado.


De um modo geral, por parte dos detractores, fui incluído num grupo de débeis mentais, revivalistas, sem expressão política e com muito pouca capacidade intelectual. Afirmavam ainda que o Povo repudia a Monarquia, etc… A falta de imaginação do costume (honra a algumas excepções).


Bom… A ser assim, que temem assim tanto os Republicanos, já nem falo dos radicais, herdeiros directos da Carbonária, como sejam Vital Moreira e os seus pares, mas ou outros? Que leva o Bloco de Esquerda a promover uma passeata há mesma hora e mesmo local em que era prestado preito a D. Carlos, carregando faixas ofensivas e de regozijo pelo crime cometido há 100 anos? Porquê transformar em tabu a discussão do artigo constitucional que define a Republica como única forma de governo? Que forma esotérica de conhecimento têm, para afirmar que o Povo rejeita a Monarquia?
Francamente esta situação lembra-me a clássica atitude de um chefe prevaricador, que sendo confrontado por um subordinado, desata aos gritos a dizer-lhe que não tem que lhe dar satisfações.
Pois é. Parece que estão cheios de certezas, mas se assim é, porquê tanta resistência ao apuramento honesto da verdade?


Valha-nos pelo menos que a sanha Republicana, embora tenha impedido que a banda de Lanceiros e o Colégio Militar prestassem as suas homenagens, não conseguiu impedir que o PR inaugurasse uma estátua do Rei em Cascais, nem que a RTP nos desse uma pormenorizada anatomia do crime.